Nos Ensinaram a Competir… e Talvez Isso Tenha Sido um Erro

Nos Ensinaram a Competir… e Talvez Isso Tenha Sido um Erro

David Huaricancha @davidjss04
David Huaricancha @davidjss04

Vivemos em uma sociedade obcecada por competir.

Desde pequenos nos ensinam que se destacar significa estar acima de alguém.

Competimos:

  • por notas,
  • por reconhecimento,
  • por dinheiro,
  • por cargos,
  • por status,
  • por validação,
  • até por quem parece ter a “melhor vida”.

E embora a competição possa parecer algo positivo, com o tempo comecei a questionar algo:

E se a obsessão por competir acabar limitando o nosso crescimento?

Hoje quero compartilhar uma ideia que mudou bastante a minha forma de pensar:

A competição mais importante não deveria ser contra os outros, mas contra você mesmo.

Crescemos Acreditando que a Vida Era uma Corrida

Na escola aprendemos a competir desde muito cedo.

O melhor aluno. A melhor nota. O quadro de honra.

E embora isso muitas vezes seja apresentado como “motivação”, também aprendemos algo perigoso:

O nosso valor depende de superar os outros.

Quando chegamos à universidade, o padrão continua:

  • terço superior,
  • quinto superior,
  • melhores estágios,
  • melhores salários,
  • melhores cargos.

Aos poucos deixamos de focar em aprender para focar apenas em vencer.

Arthur Schopenhauer dizia:

“A comparação é o ladrão da felicidade.”

E sinceramente acho que ele estava certo.

Porque quando a sua vida gira constantemente em torno de se comparar com os outros, você nunca se sente suficiente.

O Problema de Competir o Tempo Todo

Quero deixar algo claro:

Não estou dizendo que a competição é totalmente ruim.

Ela existe e provavelmente sempre existirá:

  • nos negócios,
  • nos esportes,
  • nas empresas,
  • na tecnologia,
  • nas universidades,
  • e em praticamente qualquer ambiente humano.

O problema aparece quando você transforma a competição no centro da sua identidade.

É aí que você começa a construir limites mentais sem perceber.

O Teto Invisível Criado pela Comparação

Imagine uma sala de aula universitária.

Todos estão competindo para ser o primeiro.

E suponha que você finalmente consiga a melhor média.

Naquele momento você sente que chegou ao máximo.

Mas a realidade é muito maior do que isso.

Fora daquela sala existem milhares de pessoas:

  • com mais experiência,
  • mais habilidades,
  • mais conhecimento,
  • mais disciplina,
  • ou contextos completamente diferentes.

Então você entende algo importante:

A sua referência de sucesso era extremamente pequena.

A competição muitas vezes cria uma ilusão perigosa: acreditar que vencer em um ambiente limitado significa já ter ido longe.

E aí aparece o verdadeiro problema: a comparação constante pode reduzir a sua visão de mundo.

A Filosofia do “Ganhar-Perder”

Stephen R. Covey, em Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes, fala sobre diferentes mentalidades humanas.

Uma delas é o pensamento “ganhar-perder”:

“para eu ganhar, alguém precisa perder.”

E sinceramente acho que muitas pessoas vivem sob essa lógica.

Eu vi isso bastante na universidade.

Lembro de colegas extremamente competitivos.

E sim, um nível saudável de competição pode te ajudar a melhorar.

Mas o problema começava quando essa competição se misturava com:

  • ego,
  • inveja,
  • egoísmo,
  • insegurança,
  • e satisfação quando os outros falhavam.

Às vezes parecia algo assim:

“Enquanto ninguém me superar, está tudo bem.”

E com o tempo entendi que esse pensamento destrói muito mais do que constrói.

Porque deixa de ser sobre crescer.

Passa a ser apenas sobre não perder para os outros.

Ilustracao sobre comparacao social e valor pessoal

Quando Parei de Competir com os Meus Colegas

Quero te contar algo pessoal que acabou mudando muito a minha forma de pensar.

Quando eu estudava Engenharia de Sistemas e Informática na universidade, percebia que muitos colegas tinham um único objetivo:

aprovar as disciplinas e terminar o curso com boas notas.

E eu não estou dizendo que isso seja errado.

Mas comecei a sentir que, para muitas pessoas, esse era o limite:

  • aprovar,
  • terminar,
  • conseguir o diploma,
  • e assumir que isso significaria sucesso automaticamente.

Com o tempo comecei a me perguntar:

O que aconteceria se eu seguisse exatamente o mesmo caminho de todo mundo?

E sinceramente eu sentia que, se fizesse apenas o mesmo que os demais, provavelmente terminaria exatamente igual… ou até pior.

Foi aí que tomei uma decisão bastante drástica: deixei a universidade temporariamente.

E quero esclarecer algo importante: não estou dizendo que você deva fazer o mesmo.

Em muitos casos, isso poderia ser uma má decisão.

Mas para mim, naquele momento, significou algo diferente: parar de viver obcecado por competir com os outros.

Enquanto muitos seguiam avançando semestre após semestre, eu sentia que estava perdendo a corrida.

E sim, no começo doía ver os outros continuando enquanto eu aparentemente estava ficando para trás.

Mas pouco a pouco entendi algo importante:

Talvez eu estivesse deixando de competir com os outros pela primeira vez na vida.

Em vez de me concentrar em saber se alguém estava avançando mais rápido do que eu, comecei a me concentrar em desenvolver a mim mesmo.

Comecei a:

  • ler,
  • buscar respostas,
  • aprender tecnologia,
  • explorar novas ideias,
  • empreender,
  • desenvolver habilidades,
  • entender como o mundo realmente funciona fora da universidade.

E embora de fora parecesse que eu tinha “retrocedido”, mentalmente eu sentia que estava crescendo muito.

Sala de aula universitaria vazia como referencia a competicao academica

O Dia em que Voltei para a Universidade

Algum tempo depois, voltei para a universidade.

Muitos dos meus ex-colegas já estavam perto de terminar o curso.

Se eu tivesse mantido a mentalidade de competição, provavelmente teria pensado:

“Eu já perdi.”

Mas nesse momento eu já enxergava as coisas de outra forma.

Porque, enquanto eles avançavam academicamente, eu tinha desenvolvido outras habilidades que provavelmente nunca teria aprendido se tivesse seguido apenas o caminho tradicional.

Nesse período eu tinha aprendido:

  • sobre tecnologia real,
  • desenvolvimento profissional,
  • leitura,
  • hábitos,
  • comunicação,
  • mentalidade,
  • negócios,
  • e crescimento pessoal.

Eu tinha mudado muito mais como pessoa.

E acho que foi aí que entendi algo importante:

Nem todo mundo está jogando a mesma corrida.

A Ideia que Mudou a Minha Perspectiva

Com o tempo comecei a pensar algo diferente:

E se, em vez de competir com os outros, você competisse consigo mesmo?

E sinceramente acredito que essa mudança mental pode transformar muito a forma como vivemos.

Porque quando você se torna a sua própria referência:

  • boa parte da ansiedade causada pela comparação desaparece,
  • o seu crescimento se torna mais autêntico,
  • e você começa a se concentrar em melhorar em vez de apenas aparentar.

James Clear, em Hábitos Atômicos, compartilha uma ideia poderosa:

“Melhorar 1% por dia importa muito no longo prazo.”

E embora isso pareça simples, acho que é aí que aparece a grande diferença entre competir e crescer.

A competição quer ganhar rápido.

O crescimento quer construir algo sustentável.

Ilustracao de uma pessoa olhando para o espelho como simbolo de competir consigo mesma

A Armadilha Moderna: Competir o Tempo Todo

Hoje as redes sociais pioram muito isso.

Porque vemos constantemente:

  • pessoas viajando,
  • empreendendo,
  • ganhando dinheiro,
  • mostrando sucesso,
  • comprando coisas,
  • alcançando metas.

E sem perceber, você começa a correr corridas que nem queria correr.

Byung-Chul Han, filósofo sul-coreano e autor de A Sociedade do Cansaço, fala sobre como a sociedade moderna nos empurra constantemente para o desempenho e a autoexigência extrema.

Nós não apenas trabalhamos.

Agora sentimos que precisamos:

  • nos destacar,
  • produzir,
  • crescer,
  • competir,
  • e provar o nosso valor o tempo todo.

E sinceramente acredito que muitas pessoas vivem mentalmente exaustas por causa disso.

A Competição Infinita Nunca Termina

Porque, mesmo que você alcance o que queria:

  • sempre vai aparecer alguém com mais dinheiro,
  • mais experiência,
  • mais sucesso,
  • mais reconhecimento,
  • ou melhores resultados.

A comparação nunca acaba.

Por isso eu acredito que basear a autoestima apenas em superar os outros é uma batalha impossível de vencer.

Então… Nunca Devemos Competir?

Não exatamente.

A competição pode te ajudar temporariamente a:

  • se exigir mais,
  • aprender,
  • melhorar,
  • sair da zona de conforto.

Mas eu não acho que ela deva se tornar o centro da sua vida.

Porque quando a sua felicidade depende apenas de estar acima dos outros, você nunca vai sentir verdadeira tranquilidade.

Sempre existirá alguém mais à frente.

A Melhor Competição É Você Mesmo

Hoje sigo me dedicando muito à minha carreira profissional.

Mas a minha mentalidade mudou completamente.

Eu já não fico tão obcecado com:

  • quem está na frente,
  • quem ganha mais,
  • quem terminou primeiro,
  • ou quem parece mais bem-sucedido.

Porque entendi que o crescimento real não acontece sempre no mesmo ritmo para todo mundo.

E sinceramente acredito que uma grande parte da minha evolução começou quando deixei de tentar vencer os outros e comecei a focar em me melhorar.

Marco Aurélio escreveu em Meditações:

“A perfeição do caráter é isto: viver cada dia como se fosse o último, sem agitação, sem apatia, sem fingimento.”

E acho que grande parte dessa ordem interior aparece quando deixamos de nos obcecar tanto em provar que somos melhores do que os outros.

Reflexão Final

Durante muito tempo pensei que crescer significava provar que eu podia superar as outras pessoas.

Hoje sinceramente acredito que o crescimento real acontece quando você deixa de se obcecar pela comparação e começa a construir a sua própria versão.

Porque, no final, a única pessoa com quem você vai viver a vida inteira é você mesmo.

E provavelmente essa seja a competição mais importante de todas.

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