
Há algum tempo ouvi uma entrevista que sinceramente ficou na minha cabeça durante vários dias.
Era uma pessoa bastante conhecida no mundo midiático do meu país. Alguém bem-sucedido sob muitos pontos de vista:
- bom físico,
- dinheiro,
- reconhecimento,
- disciplina,
- presença pública.
Mas houve uma frase que essa pessoa disse depois de falar sobre um relacionamento de muitos anos que terminou, e isso me fez refletir muito:
“Hoje prefiro ser um 8 em tudo do que um 10 em uma única coisa.”
E sinceramente, quanto mais eu pensava nessa frase, mais sentido ela começava a fazer.
A Obsessão Moderna por Ser “o Melhor”
Vivemos em uma época em que parece que todo mundo quer se tornar um “10”.
O melhor corpo.
A melhor empresa.
Mais dinheiro.
Mais produtividade.
Mais sucesso.
Mais resultados.
E embora não haja nada de errado em querer melhorar, acho que muitas vezes acabamos sacrificando áreas importantes demais da nossa vida para tentar nos destacar apenas em uma.
Porque a realidade é muito mais complexa do que uma única métrica.
Ser um 8 Não Significa Mediocridade
E aqui quero esclarecer algo importante.
Quando falo de “ser um 8”, não estou falando de se conformar ou viver de forma medíocre.
Estou falando de equilíbrio.
De construir uma vida em que várias áreas importantes possam coexistir de forma saudável.
Porque sinceramente, chegar a ser um “10” absoluto em alguma coisa muitas vezes exige sacrificar demais:
- tempo,
- saúde,
- relacionamentos,
- tranquilidade,
- estabilidade emocional,
- ou até a sua própria identidade.
E acho que isso é algo sobre o qual poucas pessoas realmente falam.

A Vida Nem Sempre Recompensa os Extremos
Hoje em dia vejo muitas pessoas obcecadas em levar uma única área da vida ao mais alto nível possível.
E, de novo, não há nada de errado em buscar excelência.
Mas às vezes os extremos também têm consequências.
Por exemplo, conheci pessoas obcecadas com academia a ponto de colocar a saúde em risco usando substâncias anabólicas para alcançar um físico extremo.
E claro: cada pessoa é livre para fazer o que quiser com o próprio corpo.
Mas quando você analisa mais profundamente, muitas vezes, tentando se tornar um “10” físico, elas acabam descuidando de:
- saúde mental,
- estabilidade emocional,
- relacionamentos,
- família,
- ou até do próprio bem-estar futuro.
E acredito que isso se aplica a muitas áreas da vida.
Há pessoas que são um “10” em dinheiro, mas um “2” emocionalmente.
Ou um “10” profissionalmente, mas completamente vazias em outras áreas importantes.

O Problema de Viver uma Vida Desequilibrada
Com o tempo entendi algo importante:
O sucesso em uma única dimensão não garante uma vida plena.
Stephen R. Covey, em Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes, fala sobre a importância de desenvolver diferentes dimensões humanas:
- física,
- mental,
- emocional,
- social,
- espiritual.
E sinceramente acho que existe muito sentido nisso.
Porque uma vida saudável não depende apenas de uma única habilidade.
Ela depende do equilíbrio entre várias partes de nós mesmos.
A Reflexão que Messi Me Deixou
Há algum tempo vi uma entrevista de Lionel Messi em que perguntaram se ele se arrependia de algo.
E uma das coisas que ele mencionou foi bastante interessante:
Ele se arrependia de não ter dedicado mais tempo a aprender outras coisas fora do futebol. Idiomas, negócios e outros conhecimentos que poderia ter desenvolvido enquanto teve a oportunidade.
E isso me fez pensar bastante.
Porque, se até uma pessoa considerada um dos maiores jogadores da história pode sentir que descuidou de outras áreas importantes da vida, então talvez ser um “10” absoluto em uma única coisa nem sempre signifique ter vencido por completo.
A Minha Forma de Ver a Vida Hoje
Hoje em dia tento construir uma vida mais equilibrada.
Vou à academia.
Leio.
Trabalho.
Aprendo constantemente.
Passo tempo com a minha família.
Tento cuidar da minha saúde mental.
Desenvolvo a minha carreira profissional.
Sou perfeito em tudo isso?
Definitivamente não.
Mas sinceramente também não quero me tornar um “10” obsessivo em uma única área enquanto destruo as outras.
E acho que foi aí que essa frase começou a fazer muito sentido para mim:
Prefiro ser um 8 equilibrado do que um 10 vazio.
A Armadilha da Perfeição
O filósofo Byung-Chul Han fala muito sobre como a sociedade moderna nos empurra constantemente para o desempenho extremo.
Sempre devemos:
- produzir mais,
- melhorar mais,
- nos destacar mais,
- otimizar mais.
E sinceramente acho que muitas pessoas acabam esgotadas tentando alcançar uma perfeição impossível.
Porque nunca é suficiente.
Sempre existe:
- alguém mais bem-sucedido,
- mais forte,
- mais rico,
- mais inteligente,
- ou mais produtivo.
E quanto mais você persegue essa perfeição absoluta, mais fácil é se perder no processo.

O Equilíbrio Também é uma Forma de Sucesso
Acho que durante muito tempo subestimamos o valor de uma vida equilibrada.
Porque socialmente admiramos muito os extremos.
Mas sinceramente, hoje valorizo mais:
- ter paz mental,
- estabilidade,
- relações saudáveis,
- tempo,
- saúde,
- crescimento constante,
- e propósito.
Mesmo que isso signifique não ser “o melhor” em uma única coisa.
Reflexão Final
Com o tempo entendi que a vida não se trata necessariamente de se tornar um “10” absoluto em um único aspecto.
Porque muitas vezes, para conseguir isso, você acaba sacrificando partes importantes de si mesmo.
Hoje sinceramente prefiro construir uma vida mais completa.
Mais equilibrada.
Mais sustentável.
Não perfeita.
Mas suficientemente boa nas coisas que realmente importam.
E talvez exista aí uma forma de sucesso muito mais saudável do que a obsessão moderna por se destacar a qualquer custo.
